Trabalho x Maternidade
“Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder. Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo” (Efésios 6:10-13).
Toda mulher tem uma missão para ser mãe. Diferente do gênero masculino, a mulher foi projetada para o ofício da maternidade, em sua anatomia e emoções. Características como caridade, paciência, doçura, senso relacional, resiliência e outras, são singulares na figura da mulher, isso contribui para o exercício da maternidade.
Em 1 Timóteo 2:15, Paulo usa a palavra grega “teknogonia” (geração de filhos) para definir a maternidade como colaboração à obra do criador. Isto porque no Éden, a mulher foi enganada e levada a pecar (Gênesis 3:14-17), mas Deus usou uma mulher (Maria) para trazer, outra vez, a salvação (Jesus) à humanidade.
Muitas mulheres desejam ter filhos, para suprir suas necessidades emocionais, algum tipo de vazio da alma ou mesmo para darem uma resposta à sociedade, sem pensar que a maternidade é uma grande grande responsabilidade de servir a Deus através dos filhos, contribuindo para a formação da humanidade.
A maternidade não é um hobby, mas sim um chamado! Quando se tem esse entendimento, ela nos transforma, nos torna diferentes, seguras, corajosas, responsáveis e transbordantes de amor.
Cabe à mãe o papel de transmitir, não somente a vida física, mas a educação, a formação moral, a ética e a espiritual "Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas" (Salmos 127, 3). "Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não há de se afastar" (Provérbios 22, 6). Mas a cultura nos influencia a interpretar as escrituras de forma distorcida em relação ao papel da mãe na educação de seus filhos.
Qual é a nossa guerra?
Ao aceitar a missão de mãe, toda mulher se torna uma guerreira, aquela que combate, que guerreia, que tem como característica ser combatente. No contexto militar, uma mulher guerreira é treinada para lutar e derrotar seus inimigos, utilizando força e estratégias. Ela enfrenta o perigo com coragem, para defender sua causa e jamais foge da luta.
A doutrina feminista declara que os homens oprimem as mulheres e muitas mulheres cristãs acreditam que são vítimas e necessitam de um “salvador”, buscando isso no trabalho e suas carreiras bem-sucedidas, acreditando que são capazes de conciliar trabalho secular e educação dos filhos.
A história aponta que, antes da Revolução Industrial não existia uma separação física do trabalho da mulher e sua família, tudo acontecia dentro do lar. Isto também é relatado na Bíblia (Provérbios 31), portanto esta pergunta era muito fácil de ser respondida, porque o papel da mulher ficava claro, filho e trabalho estavam dentro do lar. Na Pós-Revolução Industrial este quadro mudou, passou-se a exigir uma busca por argumentos bíblicos que licenciassem a participação da mulher no mercado de trabalho.
Hoje, a sociedade pressupõe que a mulher só tem valor, se estiver inserida no mercado de trabalho. O fato é que todas as mães que saem de casa para trabalhar tem histórias de guerra contra o remorso. Por outro lado, a mulher que decide abrir mão de uma carreira profissional, para exercer sua missão de mãe em tempo integral, também enfrenta suas guerras cotidianas.
Contra quem estamos lutando?
A nossa verdadeira luta não é contra pessoas, exércitos nacionais e nem movimentos políticos. Nossa luta é contra as forças espirituais do mal, que escravizam o mundo (Efésios 6:12). O Diabo veio para destruir os propósitos de Deus, isso nos inclui. Nosso objetivo deve ser guerrear, a fim de dissipar o reino das trevas através da formação de nossos filhos, resgatando o projeto inicial de Deus para a família.
Paul Washer, pastor norte americano, missionário e escritor, disse ao seu filho de 5 anos, quando este lhe perguntou o que ele fazia quando estava fora de casa: - Você não vai acreditar filho, quando saio de casa para cumprir a missão de Deus, eu luto com dragões! Washer com certeza estava se referindo às lutas espirituais que enfrentava no campo missionário, ao pregar o evangelho em mais de 20 países da América do Sul, Ásia, África e Oriente Médio.
Qual a semelhança entre um missionário que viaja pelo mundo pregando a salvação e uma mãe que está em casa educando seus filhos nos caminhos do Senhor? AMBOS LUTAM COM DRAGÕES! Cumprir o chamado de Deus, implica em se alistar para a guerra.
Se dissermos aos nossos filhos, que lutamos com dragões, quando eles nos perguntarem sobre nosso ofício, certamente as crianças compreenderão. Mas jamais saberão quais tipos de dragões enfrentamos para salvá-los e nem em qual momento esses dragões chegam para o ataque. Vejamos alguns dragões que enfrentamos todos os dias:
Dragão do medo: O medo de não dar conta, de não ter dinheiro, de faltar o essencial. As circunstâncias às vezes são assustadoras e o medo nos paralisa. Nesse caso podemos ter duas reações: deixar que o medo nos domine ou confiar no Senhor. (Salmos 34:4, Isaías 41:10, Salmos 53:3, Hebreus 13:6, Salmos 55:22).
Dragão da inferioridade: Quando nos comparamos com outras pessoas ou com ideais que almejamos atingir, nossa auto-estima é abalada. O fato de estar no anonimato, de não ter reconhecimento, muitas vezes por parte da própria família, nos faz sentir que não somos importantes. Precisamos voltar às raízes e lembrar o que a bíblia diz sobre nosso verdadeiro valor. Deus nos criou de maneira única e especial (Gênesis 1:27). Deus nos escolheu para esta missão (Efésios 1:4-6). Nosso trabalho não é inútil. O poder de Deus se aperfeiçoa em nossas fraquezas (1 Coríntios 12:9-10).
Dragão da acusação: A acusação é uma das principais armas do inimigo. “Você fracassou hoje”, “Você errou ao corrigir seu filho ou ao deixá-lo comer um alimento que não era saudável”, “Você não atende mais ao seu marido”, “Seu filho está ficando mimado”, “Você está descontrolada emocionalmente” (Romanos 8:33).
Dragão da incapacidade: Muitas vezes a capacidade de educar nossos filhos não virá de livros, cursos ou até mesmo de uma graduação, ela virá de Deus. É Ele quem nos capacita, para essa missão, pois Ele é soberano. (1 João 5:5, 1 Coríntios 1:21-22). Às vezes precisamos fechar os ouvidos a frases do tipo: “Você não vai conseguir”, “Não vai aguentar tanto tempo em casa”, “Precisa ler mais livros sobre educação, filhos, família, assistir a live tal, procure um psicólogo…”. Quem nos capacita é o Senhor!
Dragão do cansaço: A tarefa de mãe exige um grande esforço físico e emocional. Mesmo aquelas mães que contam com ajuda de alguém para realizar suas funções domésticas, mesmo aquelas que enviam seus filhos para a escola ou que tem seus maridos como bons provedores e conscientes de seu papel como pai, mesmo estas se sentem exaustas no final do dia (Mateus 11:28-30, Lamentações 3:22,23).
Dragão do preconceito: Para a sociedade, uma mulher que não trabalha fora é vista como sendo uma pessoa desinformada, ignorante, sem cultura, sem dinheiro para se cuidar, triste, submissa (segundo a visão do mundo), uma “pobre coitada”. Esta é uma realidade vivida por muitas mulheres que abriram mão de seus empregos, porque este não é padrão ditado pelo mundo. A verdade é que o desejo de toda mulher que entendeu seu propósito em Deus é de, em algum momento, estar em casa, desfrutando de seu lar, fazendo bolo para seus filhos e participando de cada fase do seu crescimento (Provérbios 31:10 e 25-30). Meu testemunho.
Quais são as nossas armas de guerra?
Um guerreiro não vai à luta sem estar preparado, sem estar armado, sem traçar suas estratégias, sem estar vestido adequadamente para a guerra ou sem conhecer o inimigo que está enfrentando. Por isso, precisamos nos preparar não só orando e lendo a bíblia, mas conhecendo as investidas de satanás para esta geração, através de ideologias, padrões, projetos, agendas, política, mídia, leis, etc. Nos prepararmos desta forma, é tão espiritual quanto orarmos. Quando uma pessoa, tola ou eloquente, nos questionar sobre nossa escolha, precisamos estar convictas de nossa decisão. “Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo” (Efésios 6:13).